NAÇÕES UNIDAS: O Paquistão alcançou um equilíbrio delicado em uma tensa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas no sábado, condenando ataques injustificados ao Irã, expressando solidariedade aos estados do Golfo e pedindo um retorno imediato às negociações e à diplomacia.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança analisou o impacto dos ataques aéreos dos EUA e de Israel sobre o Irão e expôs profundas divergências dentro do conselho de 15 nações sobre a escalada da crise. O Embaixador Asim Iftikhar Ahmad, Representante Permanente do Paquistão, descreveu na reunião as preocupações crescentes de Islamabad à medida que a situação no Médio Oriente se torna mais complexa a cada novo desenvolvimento.
“O Paquistão condena o lançamento de um ataque injustificado à República Islâmica do Irão, em violação do direito internacional”, disse o embaixador.
Ao mesmo tempo, o Paquistão também “condena os ataques ao Reino da Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Qatar e Emirados Árabes Unidos e manifesta-se solidário com todos estes países irmãos”.
Ele alertou que tais ações “minariam a paz e a estabilidade em toda a região e teriam implicações de longo alcance” num momento em que novos esforços diplomáticos estão em curso.
O Embaixador Ahmad deixou claro que as preocupações do Paquistão vão além de uma única capital. Em vez disso, centra-se na arquitectura de segurança de toda a região do Golfo, onde milhões de expatriados paquistaneses estão baseados e onde Islamabad mantém profundos laços políticos, económicos e de segurança.
Esta dupla acusação de atacar o Irão e de atacar os Estados do Golfo mostra que o Paquistão está a caminhar numa linha tênue. Não se pode dar ao luxo de alienar a vizinha Teerão, com a qual partilha fronteiras delicadas e uma equação de segurança complexa. Também não pode distanciar-se dos países do Golfo, que acolhem grandes comunidades paquistanesas e desempenham um papel importante na economia do Paquistão.
A ênfase do enviado na mediação e no diálogo enfatizou ainda mais este acto de equilíbrio. “Elogiamos particularmente o papel de Omã na facilitação e mediação do diálogo entre o Irão e os Estados Unidos”, alinhando firmemente o Paquistão com os esforços diplomáticos e não com um bloco militar.
Num outro ponto contundente, lamentou que “a diplomacia tenha sido mais uma vez prejudicada por estes ataques no meio das negociações” e advertiu que “estas acções militares irão minar o diálogo e minar ainda mais a confiança que já faltava”.
O quadro jurídico de Islamabad foi igualmente intencional. O Embaixador lembrou ao Conselho que “os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas são invioláveis e sacrossantos”, sublinhando que a Carta “proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política dos Estados”.
Esta formulação permite ao Paquistão opor-se a uma acção militar unilateral ou preventiva sem isolar directamente uma força específica para além de um incidente imediato.
A nível humanitário, o Paquistão procurou humanizar a crise. O Embaixador Ahmad expressou as suas condolências aos “civis apanhados no meio destes actos de violência”, com particular referência às “crianças iranianas” e às famílias dos paquistaneses mortos nos Emirados Árabes Unidos. Ao fazê-lo, Islamabad reforçou a mensagem de que as pessoas comuns, incluindo iranianos, árabes e paquistaneses, foram as verdadeiras vítimas da escalada.
As preocupações estratégicas também eram evidentes. “Estamos profundamente preocupados com o risco de conflagração regional”, disse o embaixador. “A segurança e o bem-estar dos nossos milhões de compatriotas nos países regionais também são a nossa principal prioridade.”
Em última análise, a mensagem do Paquistão foi simples e urgente. “O Paquistão apela a todas as partes para que desacelerem imediatamente e retomem urgentemente a diplomacia com o objetivo de alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise.”
A manutenção do equilíbrio que Islamabad procura manter depende não só da própria agilidade diplomática da região, mas também de a própria região se afastar do abismo.

