A polícia de Delhi deteve na terça-feira o líder da oposição indiana Rahul Gandhi, sua irmã e colega legisladora Priyanka Gandhi e o líder do Partido Samajwadi, Akhilesh Yadav, em um local de protesto fora da residência do primeiro-ministro Narendra Modi, informou o Press Trust of India.
O líder da oposição, que também é líder do partido do Congresso Nacional Indiano, apelou à demissão de Modi, citando a repressão policial aos movimentos estudantis que apelam a reformas no sistema educativo.
O primeiro-ministro Modi liderou uma marcha até o gabinete do primeiro-ministro em Nova Delhi com outros parlamentares e disse em uma postagem nas redes sociais que deveria renunciar “por destruir o futuro da juventude indiana”.
O Press Trust of India informou que quando a polícia invadiu o local, o líder da oposição foi visto deitado no chão e resistindo às tentativas do pessoal de segurança para pegá-lo. Ele ficou ferido no processo.
“O governo não quer assumir qualquer responsabilidade e não quer qualquer discussão no Parlamento”, disse Gandhi, líder da oposição no Lok Sabha.
Os comentários de Gandhi foram feitos depois que a polícia disse que 60 manifestantes ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança no centro de Nova Delhi, na segunda-feira, tornando-se a maior manifestação de rua na capital em quase cinco anos.
Um dia depois de pelo menos 180 pessoas terem ficado feridas em protestos em Nova Deli, o movimento Barata Janata Party prometeu continuar o seu movimento até a demissão do ministro da Educação.
Milhares de manifestantes reuniram-se no coração da capital da Índia na segunda-feira, exigindo a demissão de Dharmendra Pradhan e amplas reformas nos exames, numa demonstração de força para o movimento online CJP.
O CJP acumulou milhões de seguidores nas redes sociais desde que assumiu o cargo em maio, representando um dos maiores desafios ao primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi desde que conquistou um terceiro mandato no poder em 2024.
dia embaraçoso
“Não vamos parar. Pradhan deve ser removido”, disse o chefe do CJP, Ashutosh Ranka, numa publicação nas redes sociais.
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, apelou na terça-feira aos manifestantes para não perderem a esperança.
“Eles estão tentando quebrar nosso espírito”, disse ele, sentado na traseira de sua caminhonete. “Não deixe que eles calem você.”
Os organizadores e centenas de manifestantes continuam hoje acampados no local de protesto de Jantar Mantar, muitos dos quais apelam a mudanças profundas no sistema educativo.
Na segunda-feira, a polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou com cassetetes para impedir que os manifestantes marchassem até ao Parlamento num dos maiores comícios de rua em Deli em cerca de cinco anos.
Pelo menos 178 pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e autoridades de segurança, disse a polícia de Delhi.
Afirmou que 118 agentes da lei, incluindo oficiais superiores da polícia, estavam entre eles e criticaram o “comportamento indisciplinado, agressivo e violento” levado a cabo por “turbas violentas”.
“Durante a briga, aproximadamente 60 manifestantes também ficaram feridos”, disse a agência em comunicado na noite de segunda-feira.
Os organizadores do protesto denunciaram a “tirania” das autoridades e disseram que centenas de manifestantes ficaram feridos.
“É um dia vergonhoso na história da democracia indiana quando estudantes honestos que vieram em busca de questões genuínas foram brutalmente espancados pela polícia de Deli”, disse Lanka à AFP.
Lanka encontrou-se com o ministro JP Nadda na segunda-feira e disse que o governo ainda não respondeu às suas exigências.
Os manifestantes disseram que não cederiam.
“Agora somos mais destemidos”, disse Chandra Pratap Shishwi, um estudante de direito de 25 anos. “Meu sangue ferveu quando vi pessoas sendo espancadas pela polícia daquele jeito.”
O Parlamento foi adiado na terça-feira depois de membros da oposição exigirem uma deliberação sobre as alegadas “atrocidades perpetradas contra estudantes”.
Apesar do rápido crescimento económico, milhões de pessoas no país mais populoso do mundo ainda lutam para encontrar empregos estáveis e bem remunerados e a frustração está a aumentar.
Os protestos seguiram-se a uma série de escândalos de testes que abalaram a confiança no sistema de testes do país.
Cerca de 2,2 milhões de aspirantes a estudantes de medicina realizaram o reexame no mês passado sob forte segurança, depois que o exame anterior foi cancelado após um vazamento de questionários.
Isto vem somar-se a outro escândalo envolvendo um sistema de pontuação online para testes realizados por quase 2 milhões de estudantes do ensino médio.

