Quando quero saber algo online, procuro no Google. Isso vem acontecendo há muitos anos. Mas o que acontece quando o Google decide que você não pode simplesmente pesquisar como antes?
O mundo foi forçado a enfrentar essa realidade na terça-feira, quando a empresa anunciou que sua icônica barra de busca seria “completamente reimaginada com IA”, no que chamou de a maior mudança no popular mecanismo de busca da web em 25 anos.
A seção de comentários estava cheia de pessoas dizendo ao Google que essa era uma ideia terrível que ninguém pediu.
Alguns usuários ameaçaram se retirar do mecanismo de busca mais popular do mundo caso as mudanças fossem implementadas. Eles também tinham uma alternativa para esse mesmo cenário.
Os usuários que reagiram ao anúncio da empresa sobre o X pediram que a empresa parasse de colocar IA em tudo e consertasse a internet.
Um usuário, talvez cansado de lutar contra a proliferação da IA e não querendo mais experimentá-la, pediu ao Google que pelo menos permitisse que as pessoas desistissem de novos desenvolvimentos.
A ação do Google parece senso comum à primeira vista, especialmente dada a ascensão dos chatbots de IA como ferramentas de recuperação de informações, mas essa não é toda a história. Os agentes de IA (incluindo o próprio Gemini do Google, que alimenta os recursos de pesquisa de IA) são conhecidos por serem suscetíveis à manipulação.
Os bots muitas vezes divulgam informações bem conhecidas, mas não verificadas, como fatos e podem ser uma fonte perigosa de desinformação. Alguns serviços, incluindo o atual sistema de resumo de IA do Google, tentam combater isso citando fontes, mas muitas pessoas não verificam essas citações antes de aceitar as informações como fatos.
Há também o impacto ambiental da inteligência artificial, com a tecnologia criticada por utilizar demasiada água limpa.
Segundo estimativas, um agente de IA que realiza de 10 a 50 comandos consome aproximadamente 0,5 litro de água. Multiplique isto por três e a pessoa média precisaria consumir milhões de vezes mais água por dia, criando uma crise ambiental.
Dada a prevalência da escassez de água e da desinformação, vale a pena perguntar se a IA é realmente a próxima fronteira da tecnologia ou se tomamos o caminho errado em algum lugar.

