• Especialistas dizem que Nova Deli pretende normalizar a guerra limitada sob riscos nucleares
• Prever que os conflitos futuros se concentrarão em estratégias cibernéticas, híbridas e narrativas.
ISLAMABAD: Os principais especialistas em questões estratégicas alertaram na segunda-feira que, embora a equação de dissuasão com a Índia possa ter sido mantida durante o conflito do ano passado, o ambiente estratégico da região está a tornar-se cada vez mais frágil. Enfatizaram, portanto, a necessidade de manter a credibilidade e a eficácia das forças de dissuasão.
A mensagem foi transmitida no lançamento de um livro organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CISS) em Islamabad.
Os especialistas sublinharam que a estabilidade regional está sob pressão devido às mudanças tecnológicas, à desinformação, aos conflitos não resolvidos e à decisão da Índia de normalizar a guerra limitada numa situação nuclear.
Neste quadro mais amplo, os conselheiros do Comando Militar Nacional e da Divisão de Planeamento Estratégico reiteraram as lições claras do conflito de Maio de 2025, observando que o Paquistão deve manter a sua força de dissuasão fiável e adaptável.
O alerta mais forte veio do tenente-general reformado Khalid Ahmed Kidwai, conselheiro do Comando Nacional das Forças Armadas e figura-chave no sistema nuclear do Paquistão.
Ele disse que os desenvolvimentos recentes expuseram “os pontos fortes e fracos da estabilidade da dissuasão” e enfatizou a importância da “gestão nuclear responsável e da contenção estratégica”.
Comentários de outros especialistas sugeriram que os estrategistas nucleares veem a dissuasão não como um equilíbrio estático, mas como um sistema que requer gestão contínua.
O general reformado Zubair Hayat, antigo presidente do Estado-Maior Conjunto, alertou que os conflitos futuros envolverão cada vez mais “guerra híbrida, capacidades cibernéticas e guerra narrativa”, além dos meios militares tradicionais.
O tenente-general Mazhar Jamil destacou “a evolução da mentalidade ofensiva da Índia” como fundamental para o contexto estratégico em mudança e instou o Paquistão a manter uma postura de dissuasão unida.
Acrescentou ainda que a Índia precisa de receber uma mensagem clara, com clareza estratégica, de que não pode alcançar quaisquer objectivos políticos ou militares através do uso da violência militar contra Estados com armas nucleares.
Os seus comentários sugeriram que os planeadores estratégicos do Paquistão esperam que as crises futuras testem os limites, exerçam pressão através de meios militares limitados e explorem prazos apertados para a tomada de decisões.
O tenente-general reformado Sarfraz Sattar, que também é conselheiro da NCA, ecoou estas preocupações, dizendo que as crises futuras exigirão “uma dissuasão credível apoiada por sinais políticos e militares coordenados”, bem como uma compreensão precisa do comportamento do adversário.
Zamir Akram, antigo embaixador e actual conselheiro do SPD, alertou que a posição da Índia estava a “aumentar a ansiedade” em toda a região. Ele argumentou que sem um “diálogo significativo” entre os dois lados, a desconfiança continuará a crescer.
O conselheiro de controle de armas do SPD, brigadeiro-general aposentado Dr. Zahir Kazmi, disse que a dissuasão também depende de “comunicação estratégica, resolução política e resiliência cognitiva”.
O Diretor-Geral da CISS, Ali Sarwar Naqvi, destacou a instabilidade na região devido à postura agressiva da Índia e sublinhou a necessidade de uma gestão estatal responsável, de um diálogo contínuo e de uma dissuasão credível para manter a paz.
Mushahid Hussein Saeed, antigo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, enfatizou a importância do debate intelectual na abordagem destes novos desafios de segurança.
Esta história foi atualizada após a publicação
Publicado na madrugada de 12 de maio de 2026

