WASHINGTON: O governo iraniano confirmou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irão, uma decisão que suscitou reacções contrastantes de Washington e de Jerusalém, reflectindo diferenças de estratégia no tratamento da liderança em evolução do Irão.
Reação dos EUA: calculada e cautelosa
Até agora, o Presidente Donald Trump evitou críticas diretas ao sucessor de Mojtaba Khamenei, enquadrando em vez disso os desenvolvimentos em termos de mercados energéticos e da influência estratégica dos EUA.
Numa publicação no Truth Social, uma hora depois do anúncio, enfatizou que um aumento temporário nos preços do petróleo é um custo menor em comparação com a estabilidade e segurança globais.
Mas numa entrevista à ABC News na manhã de domingo, o Presidente Trump reiterou a sua sugestão de que o próximo líder do Irão precisaria da “aprovação” do governo dos EUA, sugerindo que os EUA têm um papel na definição de um resultado de liderança aceitável.
Ele disse que havia problemas com a nomeação esperada de Khamenei, mas recusou-se a sugerir uma ação militar direta.
Esta abordagem enfatiza o acto de equilíbrio dos EUA na gestão da narrativa política interna, acalmando os mercados energéticos globais, tranquilizando os aliados e restringindo os conflitos regionais sem provocar a guerra.
Resposta israelense: direta e agressiva
Em contraste, Israel assumiu uma postura marcadamente conflituosa. O ministro da Defesa israelita, Yisrael Katz, alertou que qualquer novo líder com ligações à elite dominante do Irão seria um “alvo claro para remoção”.
Os militares israelitas disseram que responsabilizariam pessoalmente o seu sucessor e sublinharam a sua disponibilidade para continuar as operações direcionadas contra a liderança iraniana, que Jerusalém considera uma ameaça.
Mesmo antes da nomeação formal de Mojtaba Khamenei, Israel tinha intensificado os ataques às infra-estruturas iranianas e às posições de representação na região, demonstrando disponibilidade para exercer pressão não só sobre a política, mas também sobre os indivíduos envolvidos na direcção estratégica de Teerão.
o que isso significa
Os analistas veem Mojtaba Khamenei, que se diz ser próximo do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), como uma continuação das políticas linha-dura do Irão, em vez de uma mudança para a moderação.
A sua eleição mantém a linha ideológica estabelecida pelo seu falecido pai, o aiatolá Khamenei, e sinaliza a continuação da estrutura de poder estabelecida.
Especialistas dizem que muitos iranianos queriam uma transição para um regime liderado por autoridades eleitas e não por clérigos. Os observadores dizem que as suas aspirações parecem ser limitadas pela pressão contínua dos conflitos regionais e da intervenção estrangeira.
Para Washington, a nomeação complica o potencial envolvimento diplomático. É pouco provável que um líder integrado no sistema ideológico e de segurança do Irão (cujas famílias já tenham sofrido baixas em ataques anteriores dos Estados Unidos e de Israel) seja um parceiro de negociação a curto prazo.
A resposta dos EUA reflecte uma estratégia deliberada para manter a influência, estabilizar os mercados energéticos e trabalhar com os Estados europeus e do Golfo para gerir a situação volátil, evitando ao mesmo tempo um conflito militar aberto.

