O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, partirá para a Arábia Saudita na noite de sexta-feira para participar de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros das Relações Exteriores da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) marcada para sábado.
A reunião discutirá as implicações do reconhecimento da Somalilândia por Israel.
“A reunião abordará as implicações do reconhecimento por Israel da chamada região da Somalilândia da República Federal da Somália”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros (FO) num comunicado divulgado na sexta-feira.
O vice-primeiro-ministro disse que partilhava a posição do Paquistão sobre a questão da Somalilândia.
Paralelamente, o primeiro-ministro Dar realizará reuniões bilaterais com os seus homólogos dos estados membros da OIC para discutir uma maior cooperação em questões regionais e internacionais, acrescentou o deputado.
A Somalilândia está estrategicamente localizada no Golfo de Aden e tem a sua própria moeda, passaporte e exército, mas tem lutado para obter reconhecimento internacional devido às preocupações de que poderia provocar a Somália e encorajar outros movimentos separatistas em África.
Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer oficialmente a Somalilândia como um estado soberano independente, e o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, disse que o país aderiria aos Acordos de Abraham.
Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, chegou à Somalilândia para uma visita de alto nível, que a Somália denunciou como uma “invasão não autorizada” depois de Israel ter reconhecido a região separatista do Corno de África.
O Paquistão e uma vasta gama de países muçulmanos emitiram uma declaração conjunta quinta-feira condenando a visita do diplomata israelita à Somalilândia.
A declaração conjunta emitida pelo FO foi emitida em nome dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da OIC do Paquistão, Argélia, Bangladesh, Comores, Djibuti, Egipto, Gâmbia, Indonésia, Irão, Jordânia, Kuwait, Líbia, Maldivas, Nigéria, Omã, Palestina, Qatar, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Turquia e Iémen.
No mês passado, o Paquistão juntou-se à OCI com outros 20 países na rejeição do reconhecimento de Israel da autodeclarada República da Somalilândia, afirmando numa declaração conjunta que as acções de Tel Aviv reflectiam o “total e flagrante desrespeito pelo direito internacional” do Paquistão.
A declaração conjunta destacou a “rejeição inequívoca” dos dois países ao reconhecimento por Israel da região da “Somalilândia” da Somália.
A declaração acrescenta ainda que a medida “reflete o completo e flagrante desrespeito de Israel pelo direito internacional”, dado que tais medidas sem precedentes têm sérias implicações para a paz e segurança no Corno de África, no Mar Vermelho, e para a paz e segurança internacionais como um todo.

