— Agência de Serviços Financeiros
O orçamento federal de 2027 é muito positivo. Centra-se em alguns dos desafios estruturais mais prementes do Paquistão: expansão da base tributária, continuação das reformas tarifárias de importação, manutenção de incentivos para o sector da tecnologia da informação e relançamento da indústria da construção, há muito adormecida.
A medida politicamente mais sensível é o alívio concedido aos trabalhadores assalariados. As taxas de imposto de renda foram reduzidas e o limite de renda para a alíquota máxima de 35% foi aumentado de Rs 4,1 milhões para Rs 7 milhões. O superimposto foi abolido para pessoas físicas com renda de até Rs 500 milhões e reduzido em 20% para contribuintes de alta renda. As sobretaxas de imposto de renda foram completamente abolidas.
Os impostos cobrados sobre as receitas de exportação foram reduzidos de 2% para 1,25%, e o imposto sobre o valor do capital sobre activos estrangeiros detidos por paquistaneses residentes também foi abolido.
O orçamento também introduz medidas para trazer segmentos anteriormente subtributados para a rede fiscal formal. Os criadores de conteúdo digital e influenciadores de mídia social serão elegíveis para deduções fiscais retidas na fonte por meio do sistema bancário. O regime de retenção na fonte para serviços foi revisado para fornecer tratamento separado para profissionais independentes.
A reforma mais importante é transformar a administração fiscal num modelo orientado para a tecnologia e baseado em dados.
Ao mesmo tempo, a taxa reduzida aplicável a determinados sectores de distribuidores, revendedores e grossistas foi aumentada de 0,25% para 0,5%, enquanto a documentação e os incentivos ao cumprimento permanecem disponíveis.
Contudo, a reforma mais importante neste orçamento não é nem um aumento nem uma redução de impostos. Esta é uma transformação da administração fiscal do Paquistão, de um sistema discricionário e baseado em contactos para um modelo orientado pela tecnologia e pelos dados.
O governo pretende minimizar a interação direta entre os contribuintes e os funcionários fiscais e substituir processos manuais por mecanismos de conformidade automatizados. O Centro Nacional Sem Rosto realiza auditorias, avaliações e recursos através de plataformas digitais, reduzindo oportunidades de assédio, procura de renda e corrupção. O novo mecanismo de liquidação automatizado permitirá aos contribuintes resolver discrepâncias sem penalidades ou taxas adicionais.
Os bancos e as instituições de moeda eletrónica partilham eletronicamente dados sobre transações de elevado valor, permitindo uma reconciliação sofisticada com as declarações fiscais. Grandes varejistas, atacadistas e fabricantes também serão obrigados a integrar seus sistemas comerciais com a Receita Federal para permitir relatórios de transações em tempo real.
Se implementadas de forma eficaz, estas reformas poderão ser mais importantes do que as alterações nas taxas de imposto. As questões fiscais do Paquistão não são de forma alguma apenas uma questão de taxas de imposto. Era uma questão de aplicação, documentação e conformidade fracas. A tecnologia oferece uma solução mais sustentável do que repetidas anistias fiscais e aplicação arbitrária.
Centenas de itens tarifários com tarifas muito baixas foram completamente abolidos. Igualmente importante, o governo reviu e reduziu o sistema de isenção e aumentou a transparência na estrutura tarifária, mantendo ao mesmo tempo as concessões para insumos industriais.
O orçamento também presta especial atenção a dois sectores que são importantes para o crescimento futuro.
Para as tecnologias de informação e os serviços baseados em TI, a taxa de imposto concessional de 0,25% sobre as receitas de exportação foi prorrogada por mais três anos. Considerando o forte potencial de exportação do sector, os requisitos de capital relativamente baixos e a capacidade de criar empregos para jovens instruídos, esta decisão faz sentido do ponto de vista económico e é também de importância estratégica.
Tendo em conta as extensas ligações da indústria da construção com indústrias como o cimento, o aço, os transportes e os serviços, alguns impostos antecipados e impostos sobre transferências imobiliárias foram reduzidos. Os direitos de importação sobre máquinas de construção e logística também foram reduzidos.
Na frente comercial, o governo manteve a política do Roteiro de Racionalização Tarifária previsto na Política Tarifária Nacional 2025-30. As tarifas foram reduzidas sobre uma ampla gama de itens, e os direitos adicionais e regulatórios também foram reduzidos.
As mudanças no sistema de imposto sobre vendas são mais modestas. O foco principal está nas reformas processuais, com algumas isenções para produtos sanitários, kits de veículos elétricos e peças de aeronaves.
Na frente macroeconómica, o orçamento estabelece metas ambiciosas mas amplamente credíveis. Prevê-se que as receitas fiscais aumentem 17,6% e que as receitas não fiscais contribuam com 5,3 biliões de rupias. O governo tem como meta uma taxa de crescimento do PIB de 4%, uma taxa de inflação de 8,2% e um défice orçamental de 3,6%.
Alcançar esses objetivos não é fácil. A economia global permanece incerta, os riscos geopolíticos permanecem e a estabilidade política interna não pode ser considerada um dado adquirido. No entanto, este pressuposto não é irrealista se a dinâmica das reformas for mantida e a disciplina macroeconómica continuar.
No geral, o Orçamento para 2026-27 é um documento credível e orientado para as reformas. Mais importante ainda, isto assinala uma mudança decisiva em direção à gestão fiscal baseada na tecnologia e à conformidade baseada em dados. Se o governo mantiver o seu compromisso político, resistir à pressão para mudar a política e, em última análise, trazer os sectores subtributados para a rede fiscal formal, este orçamento poderá ser um passo importante em direcção a uma economia mais competitiva, documentada e orientada para o crescimento.
O autor atualmente atua como árbitro comercial e membro do Comitê de Política Tarifária. Anteriormente, ele serviu como embaixador do Paquistão na Organização Mundial do Comércio.
Publicado no Business and Finance Weekly Dawn em 15 de junho de 2026

