GENEBRA (Reuters) – Existem agora quase 500 casos confirmados de Ebola no surto mortal que assola a África Central, informou um resumo da OMS neste sábado, em meio a preocupações crescentes sobre a escala do surto.
Na sua atualização diária sobre a situação, a Organização Mundial da Saúde contabilizou 452 casos, incluindo 82 mortes, na República Democrática do Congo, onde o surto foi declarado há três semanas.
Entretanto, o vizinho Uganda confirmou 19 casos, incluindo duas mortes. Segundo anúncios dos governos da República Democrática do Congo e do Uganda, um total de 471 pessoas foram infectadas e 84 pessoas morreram, um aumento de 100 casos e 20 mortes em relação ao dia anterior.
O aumento surge no meio de alertas de que o surto, que a OMS declarou uma emergência de saúde pública internacional, poderá eventualmente crescer e tornar-se o maior da história.
Um alto funcionário dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA disse que os modelos mostram que, sem fortes intervenções de saúde pública, este surto corre o risco de rivalizar com a escala do surto de 2014 na África Ocidental, que infectou mais de 28 mil pessoas e matou mais de 11 mil.
“Essa escala é possível”, disse Jason Asher, diretor do Centro de Previsão e Análise de Surtos do CDC, em entrevista coletiva. O Ébola é transmitido através de contacto próximo e de fluidos corporais e já matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.
O actual surto foi declarado no nordeste da República Democrática do Congo em 15 de Maio, mas pensa-se que o vírus se está a espalhar despercebido há algum tempo. O surto ocorre porque não existe vacina ou tratamento aprovado para Bundibugyo, uma cepa rara de Ebola.
A OMS e o África CDC lançaram na sexta-feira um plano de 518 milhões de dólares para combater o surto durante os próximos seis meses, com foco no reforço da vigilância, testes laboratoriais e prevenção.
Publicado na madrugada de 7 de junho de 2026

