WASHINGTON (Reuters) – Agentes de Imigração e Alfândega dos EUA, no centro de um alvoroço sobre táticas de fiscalização pesadas, começaram a se deslocar para os principais aeroportos na segunda-feira, enquanto as autoridades lutam para aliviar as crescentes interrupções nas viagens em meio a uma paralisação parcial prolongada do governo.
A medida dará aos agentes de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE), já sob intenso escrutínio após tiroteios relacionados com a imigração, um papel proeminente em movimentados centros de trânsito em todo o país.
Autoridades disseram que agentes foram enviados a pelo menos 14 aeroportos, incluindo centros em Nova York, Chicago e Atlanta, para ajudar trabalhadores sobrecarregados da Administração de Segurança de Transporte (TSA), muitos dos quais trabalham sem remuneração há semanas.
Embora os agentes não façam a triagem dos passageiros, espera-se que eles assumam funções de apoio, como monitorizar as saídas e gerir a logística, permitindo que os agentes da TSA se concentrem na triagem de segurança.
A implementação ocorre num momento em que os aeroportos enfrentam longos atrasos durante o período anual de pico das férias de primavera, com alguns passageiros relatando tempos de espera de várias horas.
O absentismo não programado entre os funcionários da TSA atingiu o nível mais alto desde o início da paralisação, interrompendo as operações no Departamento de Segurança Interna, que supervisiona a agência, e levantando preocupações sobre a segurança e a tensão do sistema.
Tom Homan, responsável pela segurança fronteiriça do presidente Donald Trump, disse à CNN que embora a medida fosse uma medida temporária para “ajudar a TSA a avançar neste caminho”, Trump posicionou-a como parte de um esforço mais amplo para manter a segurança durante a estagnação do financiamento.
Mas a decisão suscitou duras críticas por parte dos democratas, dos activistas dos direitos humanos e de alguns republicanos, que alertam que corre o risco de aumentar as tensões num ambiente já de si stressante.
O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, disse à CNN que a implantação do ICE em aeroportos movimentados poderia criar novos riscos, enquanto a senadora republicana Lisa Murkowski disse aos repórteres que “essa não é a missão do ICE” e alertou sobre “mais tensões” nos aeroportos.
A controvérsia reflecte o desconforto generalizado relativamente à repressão da administração à imigração, provocando protestos e contestações legais em vários estados.
No início deste ano, dois americanos, Renee Good e Alex Preti, foram mortos em encontros separados com agentes federais de imigração em Minnesota, um incidente que provocou indignação nacional e escrutínio das táticas de aplicação da lei.
A Sra. Good, mãe de três filhos, foi baleada e morta por agentes do ICE durante uma cirurgia, e a Sra. Preti, uma enfermeira de terapia intensiva, foi posteriormente morta por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras durante um despacho relacionado.
Neste contexto, a implantação de aeroportos assumiu enorme importância, realçando as linhas cada vez mais confusas entre o controlo da imigração e as funções de segurança interna. Entretanto, as negociações em Washington continuam estagnadas.
Publicado na madrugada de 24 de março de 2026

