Vitalik Buterin lança um post “Equilíbrio de Poder” que aborda a ameaça da centralização. O cofundador da Ethereum propõe “proliferação forçada” para combater a integração do sistema. A interoperabilidade adversária permite ferramentas que contornam os requisitos de privilégios da plataforma.
O cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, publicou uma postagem no blog na terça-feira intitulada “Equilíbrio de poder” que analisa ameaças do que ele chama de “grandes empresas”, “grande governo” e “grandes grupos”. A postagem argumenta que os freios e contrapesos históricos que impedem a concentração excessiva de poder foram quebrados durante o século XXI.
Buterin citou rápidos avanços tecnológicos e automação para permitir que intervenientes poderosos aumentem o controlo a um ritmo acelerado. As economias de escala estão a impulsionar a centralização de formas não enfrentadas nas gerações anteriores. A quebra das barreiras de proteção tradicionais criou um ambiente em que as potências dominantes podem agir sem contramedidas eficazes.
Propondo a aplicação obrigatória como medida contra a centralização
A solução proposta por Buterin centra-se num conceito que ele chama de “proliferação forçada”. Esta estratégia envolve impor requisitos de abertura e interoperabilidade em sistemas fechados que, de outra forma, permaneceriam proprietários. Esta abordagem visa evitar a centralização completa, criando atritos em sistemas que tendem naturalmente a ser integrados.
O cofundador da Ethereum descreve o mundo moderno como uma “selva”, onde o que costumava ser o motor do progresso se tornou uma fonte de medo. Ele argumenta que o governo deveria actuar como um campo de jogo neutro, em vez de um participante activo que escolhe vencedores e perdedores em mercados competitivos.
Buterin observou uma mudança nos líderes tecnológicos do Vale do Silício, que tradicionalmente defendiam opiniões liberais. Estes indivíduos estão agora a trabalhar activamente para tomar o poder do governo, em vez de limitar a influência do governo. Esta inversão assinala uma mudança na forma como os líderes da indústria tecnológica abordam os quadros regulamentares e o envolvimento político.
A indústria de tecnologia avança em direção ao controle governamental
O argumento central é que a fricção natural já não pode impedir a centralização completa do controlo. A difusão deve ser intencionalmente incorporada no sistema através de mecanismos técnicos e políticos. Buterin destacou a “interoperabilidade adversária” como uma ferramenta fundamental para alcançar este resultado.
A interoperabilidade adversária envolve a criação de ferramentas que se conectam a plataformas existentes sem exigir permissão do criador da plataforma. Isto permite que terceiros construam sobre o sistema fechado, independentemente de o operador aprovar ou não.
Buterin deu vários exemplos que se alinham aos princípios da Web3. Isso inclui interfaces que filtram o conteúdo de maneira diferente da pretendida pela plataforma host, como bloqueadores de anúncios e filtros de conteúdo alimentados por IA. Os sistemas que permitem a transferência de valor sem depender de infraestruturas financeiras centralizadas também se qualificam como implementações de interoperabilidade contraditórias.
Esta proposta desafia a suposição de que a livre concorrência por si só pode impedir os monopólios. Manter a descentralização como arquitectura predefinida do sistema pode exigir uma intervenção activa através de normas técnicas e requisitos regulamentares.
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